RESENHA (Versão final)

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RESENHA (Versão final)

Mensagem por Alcilene Aguiar em Dom 11 Abr 2010, 21:09

RESENHA

TEIXEIRA, João de Fernandes. Mente, Cérebro e Cognição. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000.

Autora da Resenha: Alcilene Aguiar Pimenta
A Filosofia da mente se firmou no século XX, sendo, ela, o resultado de uma caminhada milenar, o que a torna uma disciplina de história curta, mas de passado longo, como diz Teixeira (2000) em seu livro. Esta obra discute as relações entre mente e cérebro e tem como objetivo principal fornecer ao leitor universitário conhecimentos básicos sobre filosofia da mente e sua ligação com a ciência cognitiva.
Seu autor, João de Fernandes Teixeira, bacharelou-se em Filosofia pela USP, fez mestrado em Lógica e Filosofia da Ciência na UNICAMP e doutorado em Filosofia da mente e Ciência cognitiva na University of Essex, Inglaterra, onde morou por um período de quatro anos. É professor de Filosofia da Universidade Federal de São Carlos e é orientador no programa de pós-graduação mantido por esse departamento. Em 1995 e 1998 foi “visiting scholar” (pesquisador visitante) no Centro de Estudos Cognitivos da Tufts University, em Boston, a convite do renomado professor Daniel Dennett. Publicou outros livros nessa área, além de vários artigos em revistas especializadas.
A Filosofia da mente aborda questões como: “O que é a mente?”; “Serão mente e cérebro a mesma coisa?”; “Serão os fenômenos mentais um produto do cérebro ou será este apenas um hospedeiro biológico da mente?”. Em Mente, Cérebro e Cognição essas questões são discutidas à luz das diversas teorias que se empenham em responder essas perguntas.
Este livro está divido em sete capítulos que, com exceção do primeiro, se subdividem em tópicos menores. Cada um insere o leitor em diferentes teorias. Eles estão organizados da seguinte forma: Introdução; Mente e Cérebro; A Herança Cartesiana; Materialismo e Teorias da Identidade; As Variedades do Dualismo; Desfazendo a Idéia de Mente; Funcionalismo e Mentes Artificiais e, por fim, Teorias da Consciência. Dentro desse contexto, faz-se importante indicar a leitura prévia do livro Mente, Cérebro e Ciência de John Searle (1984), que trata mais sucintamente destas correntes. O que instigará o leitor a uma melhor compreensão do livro aqui resenhado. Discutiremos a seguir dois capítulos indispensáveis.
O primeiro, Mente e Cérebro, trata, fundamentalmente, da relação entre estes. O parágrafo inicial se encerra com a pergunta mais importante a ser respondida pela filosofia da mente: “Qual é a natureza dos fenômenos mentais?”. E é em torno desta questão que se desenvolve esse capítulo. Nele são mencionados relevantes aspectos estudados pela Neurociência e pela Filosofia platônica. Detalha-se a atividade metabólica do neurônio, explicando como se conectam uns com os outros e como é composta sua estrutura. Após esclarecimentos sobre o conteúdo físico do cérebro, indaga-se a questão da subjetividade dos estados mentais. “Seria a mente apenas uma variação da substância física do cérebro? Ou mente e cérebro seriam substâncias totalmente distintas?”. Este capítulo nos leva a refletir profundamente sobre o antagonismo supracitado. O autor considera, na parte introdutória, a possibilidade de uma leitura intercalada dos capítulos sem prejuízos à compreensão do conteúdo. Entretanto, a leitura do mesmo é fundamental para melhor entendimento dos demais.
O sétimo e último capítulo, Teorias da Consciência, expõe uma análise sobre a natureza da consciência, com base nas ideologias propostas por vários estudiosos. “Seria possível simular a cognição humana sem, ao mesmo tempo, simular seu aspecto consciente?”; “Existe cognição sem consciência?”; “Não seria essa uma diferença essencial entre mentes artificiais e mentes humanas?”; “Terá a consciência um papel causal na produção da cognição e do comportamento?”. Estas são as questões que norteiam esse capítulo.
À procura de respostas às perguntas anteriores, grupos filosóficos ao divergirem em opiniões sofreram cisão, tendo origem os naturalistas, que acreditam poder explicar a natureza da consciência através de teorias computacionais ou através do funcionamento cerebral; os não-naturalistas, que têm um posicionamento totalmente oposto, pois, para eles, experiências conscientes são intratáveis do ponto de vista de qualquer teoria neurocientífica; os “novos misterianos”, estes não descartam a hipótese naturalista, mas sustentam que desvendar a natureza da consciência constitui um problema cuja complexidade ultrapassa a capacidade cognitiva humana. Para Teixeira (2000), não existe nada mais imediato do que a experiência consciente, mas, ao mesmo tempo, não existe nada tão difícil de ser explicado. Contudo, consegue nos transmitir magnificamente o que propõem as distintas correntes ideológicas que tratam sobre filosofia da mente.
Mente, Cérebro e Cognição é um livro que apresenta de forma clara e didática, diferentes teorias a respeito da mente humana, sendo indicado, não apenas para filósofos, mas, também, para profissionais da área de Psicologia e cientistas da computação, ou para estudantes universitários de qualquer curso que desejam entender a complexidade da nossa cognição.

Alcilene Aguiar
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